05.19.2012





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China - Culture
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De volta à China

Marcus Benedicto fala de sua segunda viagem ao país. Para ele, entender a cultura chinesa exige voltar inúmeras vezes aos lugares já visitados. Mesmo com tantas novas atrações que o gigante asiático oferece aos turistas. De São Paulo.
Passeando por uma feira de rua em Shanghai, durante uma curta viagem a turismo pela China, vi que uma das pessoas do grupo conversava com um senhor europeu, a quem acabava de conhecer. Ele falava empolgado de como era aquele país, de todos os conceitos que ele mudou, refez ou construiu do zero quando passou a morar lá. Tudo conseqüência do tempo que ele teve para explorar todas aquelas diferenças.

Tempo é, de fato, um elemento essencial para conhecer qualquer lugar que seja. Levando-se em consideração um destino com o tamanho e a bagagem histórica que a China tem, essa questão se torna ainda mais relevante. Desse modo, para se ter uma noção mais completa da cultura, é preciso ir para todos os lados.

Dentro dessa perspectiva, voltar a um local pelo qual já se passou parece perda de tempo. Mas em uma cultura tão diferente da sua, não funciona assim. Tive a oportunidade de conhecer muitos aspectos, por exemplo, de Beijing, mas estou ciente de que ainda há muito a ser explorado na capital chinesa.

Da primeira vez em que estive lá, conheci a Residência de Verão do Imperador, a Cidade Proibida, experimentei o Pato de Pequim no restaurante mais tradicional e até pude ter contato com um lado menos economicamente favorecido (mas, não pobre) da capital, o chamado hutong.

Trata-se de um “conglomerado” de residências que, ao menos nas fachadas, mantém as características da época imperial. Existem outras questões menos positivas como, em muitos pontos, os banheiros serem coletivos e as ruas mais estreitas. O hutong é até paradoxal. Se, por um lado, os habitantes não são tão abonados, por outro, os imóveis, por tudo o que significam, têm grande valor financeiro. Mas não costumam ser passados adiante porque o valor sentimental é igualmente grande. Muitas famílias estão lá já há inúmeras gerações.
O hutong é até paradoxal. Se, por um lado, os habitantes não são tão abonados, por outro, os imóveis têm grande valor financeiro.
Existem empresas que atuam lá oferecendo “tours” em charretes movidas a bicicletas. Uma das paradas possibilita a entrada em uma dessas residências. O próprio dono da casa recepciona os visitantes e, com um copo do tradicional chá chinês, conta suas histórias e ouve outras, com o mesmo interesse e entusiasmo. Vale a pena.

A Grande Muralha, para a qual se costuma ir a partir de Beijing, é outra experiência à parte. A estória de que, com seus cerca de 7 mil quilômetros de extensão, pode ser vista da Lua, é um mito. Mas a sensação de deslumbramento que a construção causa é bem real. Da mesma proporção é o desafio de subir a gigantesca escadaria, de degraus irregulares, para alcançar um dos pontos mais altos da construção. A visão de lá, dizem, compensa todo o esforço, a ponto de valer uma segunda tentativa para quem, na primeira, ficou pela subida.

Mesmo assim, em uma segunda viagem, seria interessante sair um pouco da capital, onde tudo parece ser controladamente bonito e limpo, e visitar as pequenas vilas e cidades que estão no entorno de Beijing. Um lado até mais interiorano. A impressão que se tem, devido a tudo que chega desses locais por meio da mídia, é de que praticamente se trata de outra China.

Vida noturna

É fato, karaokê (ou kalaOK, em mandarim) é uma das principais diversões nacionais. Trata-se de algo tão enraizado culturalmente que ir à China e não passar por uma sessão de canto faz a viagem um tanto incompleta. Isso, sem mencionar o fato de que é uma experiência bastante divertida. O karaokê hoje, por lá, envolve mais do que um microfone e uma tela. Existem salas de todos os tamanhos, os sistemas operacionais são bem modernos, as músicas sempre atualizadas e o ramo alimentício é amplamente beneficiado.
Mas não é só de cantoria que a vida noturna chinesa funciona. Existem muitos clubes de estilo mais tradicional, luz baixa e música eletrônica.
Mas não é só de cantoria que a vida noturna chinesa funciona. Existem muitos clubes de estilo mais tradicional, luz baixa e música eletrônica (quase sempre ocidental). Esse é, praticamente, um padrão mundial e na China não pode ser diferente. Mas, a questão aqui é que, nas grandes cidades, como Beijing e Shanghai, essas casas noturnas são freqüentadas por muitos estrangeiros. 

Para se ter uma experiência mais genuinamente chinesa, em uma segunda viagem ao país, seria interessante procurar a vida noturna em locais não tão freqüentados por turistas. Xian é um bom exemplo. Apesar de ser conhecida pelos guerreiros de terracota (e ter sua própria muralha, que está posicionada ao redor do centro e rende um interessante passeio de bicicleta) e ser visitada, sim, por muitas pessoas, é uma cidade onde, à noite, quem se destaca ainda é a população local.

A noite chinesa também é palco de uma série de apresentações culturais de canto, dança, além de performances de artes marciais e acrobáticas. Dependendo do local em que a pessoa se encontra, alguma história, de tantas que a China tem, é contada por meio de shows. O mesmo vale para a culinária, que se modifica conforme a viagem evolui em direção a diferentes regiões do país. É perceptível um gosto mais apimentado em um local, mais adocicado adiante, um tipo de sopa em cada parada, enfim, opções para conhecer, de fato não faltam e uma única viagem não é o suficiente.

A China é de fato um país fascinante e planejar bem o roteiro antes de ir para lá é essencial, especialmente para aqueles que só têm disponibilidade para viajar por períodos curtos. Desse modo, ao projetar uma segunda viagem para lá, já é bom começar a colocar na ponta do lápis a terceira, a quarta...

Zàijiàn

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Marcus Vinícius Benedicto

Marcus Vinícius Benedicto

Communication advisor for TELEM, Brazil's greatest integrator for entertainment infrastructure, he has a Post-graduate Degree in Organizational Communications and Public Relations from Cásper Líbero University and Graduate Degree in Journalism from the São Paulo Methodist University. Has been studying Mandarin for 5 years.

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