China - Culture
Tempo aberto para 2009: primeiros passos
Marcus Benedicto explica as medidas que a China vem tomando para combater a poluição. O autor considera boas iniciativas mas teme que, num futuro bem próximo, sejam necessários maiores esforços e mais criatividade para reduzi-la. De São Paulo.
Quem viajou à China, neste final/início de ano, pode ter chegado lá e logo se preocupado com o tamanho do temporal que parecia se aproximar. Pelo menos para mim, foi essa a sensação quando desembarquei em Beijing, em meados do ano passado.
O céu estava bastante escuro, aparentemente tomado por nuvens carregadas. Pura impressão. A imagem é a confirmação de um dos maiores problemas que os chineses enfrentam já há um bom tempo e que causou bastante polêmica no período dos Jogos Olímpicos: a poluição.
A questão é, em muitos momentos, controversa. Na época das Olimpíadas, algumas confederações de atletismo chegaram a anunciar a impossibilidade de se realizar algumas provas lá. A delegação norte-americana, sem perder tempo, soltou um comunicado dando conta de que seus atletas circulariam pela cidade com máscaras especialmente projetadas para enfrentar a temida poluição chinesa.
Todas essas idéias acabaram caindo por terra, e não era por menos. Apesar de a visão ser impressionante (no verão, a combinação da poluição com as características climáticas naturais faz com que não seja possível ver o massacrante sol), os efeitos físicos não se dão na mesma proporção.
Para quem está competindo, a questão pode até ser mais complicada, mas quem vive em grandes metrópoles, como São Paulo, Nova York ou Tóquio, não tem o menor problema em respirar ou fazer qualquer esforço físico na China. O único local em que senti o ar ligeiramente mais pesado foi Shanghai. Contudo, nada grave ou que demandasse muito tempo de adaptação.
Quem vive em metrópoles como São Paulo, Nova York ou Tóquio, não tem o menor problema em respirar ou fazer qualquer esforço físico na China.
Ainda assim, medidas foram tomadas pelo governo chinês na época dos Jogos, como, por exemplo, o rodízio de carros que impedia metade da frota da cidade de circular diariamente (finais pares e ímpares alternadamente). Os chineses também desenvolveram modernas e eficientes técnicas de polinização de nuvens. Dessa maneira, podiam “produzir” chuva horas antes de algum evento, não só para livrar o ar de uma parcela de poluição, como também para evitar chuvas de verão em momentos inoportunos, casos da abertura e do encerramento das Olimpíadas, por exemplo.
O grande problema é que essas são medidas paliativas, não podem ser utilizadas o tempo todo e, dessa maneira, a longo prazo se tornam ineficientes. O rodízio de números pares e ímpares é uma idéia interessante, mas é impossível cercear metade da população de uma cidade de circular com seus carros durante um período de tempo muito longo. Como medida emergencial, funciona, mas para que se tenha algo mais efetivo, é preciso conscientização. Não só dos motoristas, que deveriam recorrer mais ao transporte público e manter seus veículos sempre regulados, mas também de empresas que não têm o mínimo de preocupação com as emissões de gases, entre tantos outros.
Fazer esse discurso é bater na mesma e desgastada tecla, mas essa tecla é de fato o caminho mais viável para diminuir a poluição. É uma lição para todo o mundo e já seguida por muitos países. Mas é preciso que algum dos maiores poluidores dê um primeiro e significativo passo. Por que não a China?
É preciso que algum dos maiores poluidores dê um primeiro e significativo passo. Por que não a China?
Resolução de Ano Novo
Assistir, pela televisão, às comemorações da virada do ano mundo afora é uma experiência interessante, apesar de ter características que quase não mudam. Sempre há aglomerações de pessoas, champanhe, grandes telões fazendo contagens regressivas, algumas vezes neve, outras praia, todas variações, ainda que pequenas, de uma mesma festa.
A diferença no fuso horário permite que vejamos as celebrações em todos os continentes, nas mais variadas locações. Mas duas, em especial, me chamaram a atenção: Hong Kong (que pertence à China, porém, como já falei aqui antes, tem grandes diferenças culturais) e Taipei. Não só pelo fato de terem promovido espetáculos pirotécnicos impressionantes ou, no caso da capital taiwanesa, de os fogos terem partido do edifício que, um dia, já foi o maior do mundo. A questão é que, ao contrário da China, essas duas cidades comemoraram o ano novo da maneira ocidental.
O caso de Hong Kong é compreensível. Todas as décadas de comando britânico deixaram laços bastante profundos na ilha. A questão de Taiwan, é verdade, também não é difícil de ser entendida. Há muito tempo está em conflito com o gigante asiático. Ambos os casos, porém, representam um dos grandes desafios que a China vai enfrentar no ano que está começando: conseguir um senso de unidade.
Lidar com diferenças é algo que faz parte da história da China. Trata-se de um país que precisa harmonizar cerca de 95 diferentes etnias dentro do seu vasto território. É verdade que 95% dessa população faz parte da etnia Han, mas, mesmo assim, ainda restam grandes desafios, como mostra o caso do Tibet.
Conseguir essa unidade pode ser um grande trunfo para os chineses diante de um cenário global de crise. Se, da maneira como se configura no momento, a China já vem atingindo bons resultados, quando todos esses “parceiros” conseguirem colocar diferenças de lado, terão aberto caminho para vôos ainda maiores.
Xīn nián kuài lè! Feliz ano novo, para todos nós.
Zàijiàn
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