Liu Bin explora 60 milhões de m2 de pura criatividade da cultura urbana. Trata-se da Zona de Arte 798, um espaço que chamou a atenção da mídia e do público em geral e se tornou um novo marco da cultura chinesa. De Beijing.
Atualmente na China, mais especificamente em Beijing, quando se fala de três números - 798 - a primeira coisa que vem à mente das pessoas não é o significado destes números; elas logo pensam em arte contemporânea. Evidentemente isto se deve à zona de arte localizada na região nordeste da cidade de Beijing. Ela se tornou o centro de arte e cultura da China, sendo considerada a origem da arte moderna e local, onde os artistas podem se expressar.
A Zona de Arte 798 está localizada no distrito de ChaoYang, JiuZianQian Road, área de DaShanZi. É também conhecida como Zona de Arte DaShanZi (sigla DAD – DaShanZi Art District), numa área de mais de 60 milhões de metros quadrados.
Anteriormente, o local era do Ministério da Indústria Eletrônica da China, onde foram instaladas fábricas de produtos eletrônicos denominadas pelos números 706,707,718,751,797,798. Estas seis plantas regionais foram construídas nos anos 50 do século passado. Fundadas com a ajuda da União Soviética e Alemanha Oriental, os edifícios possuem características tipicamente alemãs Bauhaus, estilo de perfeita combinação de simplicidade e utilidade, mostrada em cada detalhe. Em dezembro de 2000, um projeto de reorganização integrou as seis unidades em uma única fábrica, e logo as fábricas desativadas foram colocadas para aluguel.
Desde 2001, artistas vindos dos arredores de Beijing e de fora começaram a se reunir na planta 798.
Desde 2001, artistas vindos dos arredores de Beijing e de fora começaram a se reunir na planta 798. Através da visão única destes artistas, as suas obras de arte traziam diversas vantagens. Eles faziam pleno uso da planta original estilo Bauhaus para a decoração e o acabamento em uma única variável, como uma exibição da arte e da criatividade do espaço. Hoje em dia, a Zona de Arte 798 já chamou a atenção da mídia e do público em geral, tendo se tornado um novo marco da cultura urbana.
A presença de artistas e instituições culturais começou a transformar os terrenos vagos das fábricas. Isso gradualmente gerou o desenvolvimento de galerias, centros de arte, empresas de design, lounge e outros espaços, formando uma nova vila de arte como “SOHO” e estilo de vida como “LOFT”, e tendo assim um grau de atenção considerável.
A combinação de arte contemporânea, arquitetura local, contexto histórico das indústrias e meio ambiente da vida urbana orgânica elevou a 798 a um novo conceito cultural, que atraiu fortemente vários tipos de profissionais e o público em geral, e gerou um grande impacto na cultura urbana.
O local foi uma porta de entrada para serviços como concepção, editoração, exibição, execução, estúdios e outras indústrias culturais, incluindo produtos para casa, moda, bar e restaurantes, entre outros. Tendo como base a preservação do legado histórico e cultural original, tais como os edifícios originais da fábrica, os artistas tomaram novas decisões sobre o próprio espaço quanto à decoração e à reforma, trazendo novo sentido para a compreensão da criatividade. O desafio de transformar um edifício com todo um contexto histórico e paradigmas, em algo novo com praticidade e beleza, certamente trará um diálogo acalorado.
Em 2003, a Times Magazine classificou a Zona de Arte 798 como um marco entre 22 cidades do mundo inteiro.
Desde 2004, o Primeiro Ministro sueco, o Chanceler alemão, o Primeiro Ministro austríaco, o Presidente da Comissão Europeia, a princesa da Bélgica e a Primeira Dama do presidente francês Jacques Chirac já visitaram a Zona de Arte 798. Ao visitá-la, Schroeder suspirou: “Há algumas décadas, o Bauhaus era raramente encontrado na Alemanha. Inacreditavelmente hoje posso vê-lo em Beijing, como é incrível!”. A princesa da Bélgica comprou dezenas de milhares de dólares em obras de arte. Líderes estrangeiros e suas esposas concordam que a 798 superou as expectativas; eles nunca imaginaram que a China pudesse ter um espaço de arte livre assim, caracterizando o resultado da abertura da China.
Com o rápido desenvolvimento da Zona de Arte 798, os problemas também começaram a aparecer. Um dos mais significativos é o confronto entre arte e comércio. Aumenta-se a escala de demanda por arte, a penetração empresarial acompanha. Pelo que a mídia comunica, o número de visitantes cresce a cada dia. O local começa a ser solicitado para muitos “eventos” culturais, como estreias de filmes, fashion shows, lançamentos de marcas de luxo, promoções turísticas, reuniões de negócios, coletivas de imprensa, organizações comerciais e assim por diante. Até mesmo a Nike, Dior e outras marcas internacionais foram sendo introduzidas uma após a outra, a fim de criar um “Espaço Inovação”. Dizem que a marca de luxo LV também está prestes a entrar.
Se a 798 for perdendo tudo o que tem, relacionado à arte, e for dominada pelas atividades comerciais, logo deixará de atrair as pessoas que amam arte. Esta é a preocupação de muitos artistas, receosos de que isto se tornará realidade.
Como então a Zona de Arte 798 deve caminhar daqui para frente? Com a situação desse jeito, devido ao aumento dos encargos, muitos artistas, que já não conseguem pagá-los, estão sendo esmagados e começam a se mudar; ouve-se falar que não sobraram muitos dos primeiros artistas do grupo.
O lugar ainda pode ser chamado “zona de arte”, sem um artista local? Felizmente, muitas pessoas têm consciência do problema.
O artista é o centro da Zona de Arte 798 e, se os interesses dos artistas forem respeitados, ela poderá ir mais longe. Com o apoio do público, temos razão para acreditar que o futuro dela será ainda melhor.
Tradução: Susi Wang
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