05.19.2012





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China - International Relations
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Paternidade e projeto nacional

A pequenez dos sonhos leva à pequenez das ações, que leva à pequenez das nações. Marcos Guedes Pereira argumenta que o futuro precisa ser criado agora. De São Paulo.
Há 4 meses nascia meu primeiro filho. Nunca imaginei que a alegria fosse tão grande. Nunca imaginei que tanta emoção levaria imediatamente a uma reflexão tão séria sobre o meu próprio país.

Quando o futuro aparece em jornais, conversas e planos descompromissados, esse tema acaba sendo, muitas vezes, tratado como um exercício mental entre amigos, uma análise crítica entre intelectuais ou uma discussão política, entre cidadãos.

Quando o futuro se apresenta exatamente a nossa frente, bem ali naquele trocador de fraldas de 80x60 cm, porém, a mente e o coração jorram propostas e o desejo de fazer alguma diferença brota de forma incomensurável. Quando penso nos milhares de bebês que nascem todos os dias, e nos pais de cada um deles, tenho certeza de que o mundo vai ser melhor.

Brasil, China e Índia despontam como grandes atores no cenário mundial. Nós e os indianos, como potências; os chineses, como superpotência. Porém, obter o status de potência deve ser um meio, jamais um fim. Esse reconhecimento de nada vale se a qualidade de vida não exibir progresso; se a pobreza imperar; se a violência encurtar vidas; se a corrupção desviar energias; se o orgulho afrouxar a determinação.

Ocupar papéis determinantes nos rumos da sociedade global exige não apenas vontade política, mas também desejo, auto-estima e coragem de cada cidadão em sonhar com tal perspectiva. A pequenez dos sonhos leva à pequenez das ações, que leva à pequenez das nações.

É preciso refletir, questionar, planejar e agir como um povo que sabe o que quer.

Quais são os projetos destes países? Que vocações eles têm? Quais seus objetivos? Como pretendem alcançá-los? A que custo?

É mais eficiente ter uma democracia com doses de clientelismo, uma autocracia com princípios gerenciais ou uma mistura de ambas?

É mais importante contar com uma classe média que alimenta o consumo de curto prazo ou uma classe média que se prepara e assume seu papel nos destinos do país?

É mais inteligente aplicar táticas para ganhar mercado e áreas de influência ou estratégias para fortalecer parcerias e desenvolvimento?

É mais interessante apoiar a multipolaridade ou a bipolaridade disfarçada de multipolaridade?

É mais sensato crescer para ganhar pontos com a Sra. Moody´s ou com a Sra. Maria?

É mais valorizado empurrar os problemas com a barriga ou enfrentá-los de peito aberto?

Quanto mais estudo China e Índia, mais descubro como o Brasil também é fascinante. Para que o futuro seja ainda melhor, no entanto, os três países precisam vencer enormes desafios. E agora, eu tenho um pequeno grande motivo para colaborar ativamente para isso!
 
 

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Marcos Guedes Pereira

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