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India - Culture

A Índia, segundo os chineses

Liu Bin relata suas impressões sobre a Índia, vizinha sobre a qual os chineses têm um conhecimento incipiente e muitas ideias distorcidas. A autora levanta importantes questões, como a necessidade de maior número de voos diretos. De Beijing.
Apesar de país vizinho, receio dizer que não possuo muito entendimento sobre a Índia, posso afirmar que conheço mais de países distantes como Brasil e Argentina.

Somente de alguns anos para cá comecei a compreender melhor esse país. Antes disso, o conhecimento ficou estagnado nos livros didáticos de geografia e história. As descrições dos livros e as explicações do professor me deixaram marcas profundas até hoje: a Índia é semelhante à China, é uma das quatro civilizações mais antigas do mundo, tem a segunda maior população do mundo atrás da China, é um país religioso - o budismo, que existe na China, tem origem indiana. A República da Índia foi fundada em 1947, bem perto da constituição da República Popular da China, porém o sistema adotado foi diferente. Minha primeira impressão visual da Índia foi a partir de um filme chamado Caravan, que me deixou lembranças profundas pela musicalidade e pelas danças típicas indianas.

De uns anos para cá, o mundo entrou na era da informação. A troca de informações tornou-se maior e mais rápida, o conhecimento entre os dois países foi crescendo. Principalmente quando acompanhamos o desenvolvimento econômico, vemos o crescimento das relações comerciais bilaterais. Começo a notar que algumas pessoas ao meu redor já tiveram algum contato, seja de negócios ou de turismo, com a Índia. Até mesmo em Beijing, às vezes, também posso ver alguns indianos. Os meios de comunicação passam a mostrar mais reportagens e notícias sobre a Índia. Em suma, meu conhecimento sobre a Índia está aumentando e sinto que isto é apenas o começo.

No ano passado, um amigo meu foi a negócios para a Índia. Na volta, me falou que a impressão que ficou da Índia é a de um lugar sujo e caótico. Logo que chegou, ele ficou impressionado com a má conservação do Aeroporto de Nova Delhi. As paredes do lobby do aeroporto eram pintadas com gesso, sem anúncios ou cartazes, cheios de manchas na superfície da parede e muitas partes estavam caindo, deixando os tijolos à mostra. Mais surpreendente é quando se olha Nova Delhi de dentro do aeroporto: a única estrada para sair estava cheia de barracas nos dois lados, tinha muita gente dormindo na beira da estrada ou até mesmo debaixo dos carros. Na estrada, haviam muitos buracos, parecidos com aqueles de esgoto e, pelo que falavam, estes buracos são os lugares onde moram os mais pobres. Indo pela estrada, quase chegando ao centro, surpreende-se com muitas casas podres dos dois lados da rua. Essas casas eram feitas de sacos de plásticos para cimento e alguns galhos de árvores. Não tinham muros e uma dúzia de pessoas morava debaixo de um telhado de poucos metros quadrados. Também tinham aquelas famílias com condições de vida um pouco melhores, que moravam em barracas escuras feitas de lona, fazendo lembrar os filmes de nômades. Havia aqueles com melhores condições ainda, que utilizam sucata de metal para construir suas casas. Na cidade, via-se poucas casas de tijolos. Enfim, usando as palavras do meu amigo, o cenário lembra um echarpe podre esticado na rua, deixando o vento balançar a favela feita de saco plástico ao lado de prédios altos. Tudo isso faz as pessoas não entenderem se estão numa área urbana ou rural.
Mais surpreendente é quando se olha Nova Delhi do aeroporto: a única estrada para sair estava cheia de barracas e tinha muita gente dormindo.
Li recentemente na internet algumas matérias sobre a Índia. A sujeira das cidades indianas já está despertando grande atenção do governo indiano. Mumbai gastou 1 bilhão de dólares do governo para financiar a operação de embelezamento da cidade. Nova Delhi mobilizou as massas para limpar o Rio Yamuna. A mídia diz que, apesar do governo da Índia estar criando esforços nesse sentindo, ainda falta a sensibilização do público para com a proteção do meio ambiente e a conscientização da importância disso para a saúde. É difícil mudar a cara de uma cidade, em um curto período de tempo. 

Apesar dos problemas ambientais, que precisam ser melhorados, a Índia tem uma faceta que muito orgulha os indianos, isto é, os seus softwares. Que a indústria de softwares indiana é a mais bem desenvolvida, isso todos os jovens à minha volta sabem. A Índia possui uma população numerosa, mais de 1 bilhão de habitantes, e sua economia tem se desenvolvido devido à tomada de decisões corretas e ao bom posicionamento na área de produtos tecnológicos. A indústria de softwares tornou-se a principal força motriz da economia e faz pleno uso, com sucesso, das zonas de desenvolvimento econômico. Sua experiência muito nos inspira e é uma importante referência para a China. 

Além do domínio nos softwares, a popularmente indiana e mundialmente conhecida Yoga caiu nas graças dos jovens chineses. Na China, fazer exercícios físicos tornou-se um termo da moda entre a juventude dessa geração. Agora, se ao falarmos em exercício físico, não falarmos em Yoga, com certeza não estaremos captando a essência do fitness. Em Beijing, Shanghai, Guangzhou e outras grandes cidades, as academias estão espalhadas por todo lugar e se você for em qualquer uma delas, com certeza vai encontrar aulas de Yoga (e sem dúvida, elas estarão lotadas). Não bastasse isso, ao redor dos centros empresariais também existem lugares especializados que oferecem aulas práticas de Yoga, fazendo com que depois de um dia estressante de trabalho no escritório, as pessoas possam encontrar a melhor maneira para relaxar.
Além do domínio nos softwares, a popularmente indiana e mundialmente conhecida Yoga caiu nas graças dos jovens chineses.
Como viajante profissional, no entanto, também estou de olhos atentos na indústria do turismo na Índia. Como todos sabemos, a Índia tem uma herança cultural muito rica. Nesta terra antiga, estão a mais alta cadeia montanhosa, os Himalaias, uma das Sete Maravilhas do Mundo, o Taj Mahal, e charmosos e elegantes templos hindus, preenchendo uma forte atmosfera religiosa. A arquitetura dos palácios de Nova Delhi é detalhadamente bela, os jardins fazem as pessoas quererem se refugiar e a admiração que ela desperta não perde em nada para a Cidade Proibida de Beijing (porém, o número de visitantes ao Palácio Imperial chinês é dez vezes maior). 

China e Índia são dois grandes países adjacentes, mas com muito pouco contato. Até 2005, as capitais dos países não tinham voos diretos entre si, enquanto que de Beijing à Cingapura, por exemplo, existem vários vôos diários, assim como de Shanghai ou Guangzhou à Cingapura. Este é um país pequeno, de alguns meros milhões de habitantes, e a Índia tem 1 bilhão de habitantes. Nova Delhi e Cingapura estão a distâncias semelhantes de Beijing, mas o contato e o intercâmbio parecem distantes. Já temos voos de Beijing à Nova Delhi. Espero que, com isso, os povos dos dois países possam se relacionar cada vez mais, aumentando o conhecimento e a amizade mútuos, e colaborando para a paz mundial.

Tradução: Wang San
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