O Partido do Congresso, que governa a Índia hoje, surgiu do Indian National Congress, organização que propiciou o movimento para a independência e a campanha da não-violência liderada por Mahatma Gandhi. A trajetória do Partido do Congresso está intrinsecamente relacionada à história da administração política da Índia e a figura proeminente do partido foi o líder político e Primeiro-Ministro Jawaharlal Nehru, que governou o país entre 1947-1964.
Em 1959, Indira Gandhi, filha de Nehru, tornou-se presidente do partido. Após a morte de Nehru em 1964 e do rápido governo de Lal Bahadur Shastri, também do Partido do Congresso e que morreu em 1966, Indira Gandhi passou a ser a Primeira-Ministra do país e deu extensão à chamada dinastia Nehru-Gandhi na liderança do partido. Atualmente, quem representa esta dinastia é Sônia Gandhi, viúva de Rajiv Gandhi, filho de Indira e assassinado em 1991. Sônia, embora italiana de nascimento, é presidente do partido desde 1998 e mantém o legado da família na história política do país.
Perante alguns interregnos que outros partidos estiveram na liderança do governo da Índia, o Partido do Congresso compôs quase todos os governos. Indira Gandhi voltou a governar o país entre 1980-1984 e Rajiv Gandhi, seu filho, entre 1984-1989. Narashimba Rao (1991-1996), que implementou as propaladas reformas econômicas em 1991, também foi um governo do Partido do Congresso. Entre 1996 e 1998, esteve no poder uma coalização, United Front, de partidos seculares de esquerda, centro e direita, para prevenir uma maioria parlamentar do BJP (Bharatiya Janata Party), partido com fundamento nacionalista hindu(1). Contudo, quando o BJP esteve no poder no período 1998-2004, o Partido do Congresso foi oposição. Atualmente, estes dois partidos, BJP e do Congresso, travam as disputas para o próximo governo.
Em 2004, quando o Partido do Congresso voltou a ter maioria na Lok Sabha, o Parlamento indiano, a presidente do partido Sônia Gandhi escolheu ficar nesta posição, ao invés de se tornar Primeira-Ministra. Nesta escolha tem, em parte, o fator de Sônia ser estrangeira, elemento importante num país que tem movimentos com fundamento nacionalista. Na ocasião, indicou para Primeiro-Ministro Manmohan Singh, ex-Ministro das Finanças no governo de Rao (1991-1996), e quem conduziu as reformas econômicas. Com o governo de Manmohan Singh, o Partido do Congresso, através de uma aliança partidária, está no governo da Índia desde 2004.
Quando o partido olha para Nehru, agrega vários sentidos a sua identidade, pois Nehru foi um grande líder e é considerado, ao lado de Mahatma Gandhi, o pai da nação. Olhar para Nehru significa colocar em evidência momentos que o Partido do Congresso tinha maioria no parlamento e agregava todas as contradições do país – sociais, políticas e religiosas – na perspectiva de fazer da Índia uma nação. Do movimento anticolonial à economia controlada pelo Estado, passando pela idéia da Índia moderna, Nehru deixou impresso no país suas escolhas políticas. Muitas destas idéias como libertação da nação, instituições modernas e a “Índia no século XXI”, são bandeiras do Partido do Congresso. Nehru também acreditava no progresso da industrialização e no avanço da ciência e tecnologia. Como dizia, “Power is necessary, but wisdom is essential. It only power with wisdom that is good”. Sem entrar nos meandros das discussões dos efeitos políticos das escolhas de Nehru, o que devemos lembrar é que ele acreditava que a Índia poderia ser uma potência no futuro.










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