05.19.2012





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China - Economics
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Tecnologia: expandir mundialmente, controlar internamente

Marcus Benedicto utiliza Hong Kong para exemplificar as nuances da indústria de tecnologia na China. Ao mesmo tempo em que se tenta restringir uma “demasiada” liberdade, o país é obrigado a perseguir uma maior “abertura mental”. De São Paulo.
A relação da China com a tecnologia é controversa. Em um cenário bastante peculiar, o que se vê é um país que se desenvolve cada vez mais na área, produz praticamente todo tipo de aparelho (fruto da mão-de-obra barata), consome em larga escala e de maneira crescente, mas que, em contraponto a tudo isso, parece não medir esforços para ter o controle, mesmo que essa atitude signifique tolher o acesso da sua população a importantes invenções.

Como um exemplo mais recente do potencial para o desenvolvimento tecnológico que a China tem, há pouco tempo foi concluída a produção e começa a fase de testes (no Brasil, que também participa do projeto) de um game pioneiro, que adapta um mundo como o do sucesso Second Life, ao universo do futebol.

Em um outro aspecto dessa questão, é facilmente notado o gosto dos chineses por tecnologia. Não é preciso andar por muito tempo pelas principais cidades do país para notar que, para qualquer lado que se olhe, tem alguém pendurado em um celular, vídeo-game portátil ou tocador de mídia, como o popular iPod.

Dentro desse contexto, notícias recentes me chamaram a atenção. Duas megaempresas do ramo de tecnologia, Apple e Nokia, enfrentam problemas para levar novos produtos à China. No caso da americana, o entrevero é com o iPhone, o telefone sem teclas que virou sucesso praticamente no momento em que foi anunciado, ainda em 2007. A finlandesa Nokia encontra barreiras para o seu 5800 XpressMusic, o primeiro aparelho da empresa a utilizar a mesma tecnologia touchscreen do iPhone.

Em ambos os casos, a China implica com duas das principais características dos aparelhos: a Internet sem fio e a tecnologia 3G. Esses itens permitem acesso rápido à web, muitas vezes de maneira diferente daquelas utilizadas pelos computadores. Isso dificultaria o trabalho da China para manter guarda sobre o conteúdo acessado on-line pela população. E é essa a fonte das desavenças.
A Internet sem fio e a tecnologia 3G dificultam o trabalho da China para manter guarda sobre o conteúdo acessado on-line pela população.
Se os problemas são iguais, os desfechos seguem caminhos contrários. A Nokia, ao que tudo indica, vai aceitar as restrições chinesas e lançará seu celular por lá. Não chega a ser espantoso, já que a empresa não quer ficar sem sua fatia em um mercado consumidor que, em 2009, ocupará a primeira colocação da Ásia e que está muito próximo de ser o segundo mais expoente no mundo.

A questão com a Apple já é mais complicada. Não que a empresa queira ficar de fora desse mercado, mas, por meio de sua política, a americana adota um padrão mundial para os seus produtos. Para aceitar as exigências dos chineses, seria necessário criar uma linha de produção apenas para o país, já que as funções que eles querem retirar são os principais chamarizes do iPhone ao redor do mundo.
As funções que os chineses querem retirar são os principais chamarizes do iPhone ao redor do mundo.
Há, porém, um fato a ser observado: o celular da Apple já está à venda em Hong Kong desde o lançamento da sua primeira versão (a que está no mercado hoje, inclusive no Brasil, é a segunda, chamada de 3G). E é bem provável que o novo telefone da Nokia chegue rapidamente às lojas de lá. O que explica essa diferença entre territórios que, na teoria, pertencem a um mesmo país?

Essa é uma discussão interessante e que vem de longa data: Hong Kong é, de fato, parte da China? Oficialmente sim, desde que, em 1997, foi devolvida ao país asiático pelo Reino Unido. Mas a impressão que se tem, de dentro da ilha, é um tanto diferente.

Tive a oportunidade de visitar Hong Kong este ano. É verdade que, entre os poucos nativos com quem tive um contato mais prolongado, a maioria não demorava em admitir que são, sim, chineses (muito, talvez, pelo sentimento de nacionalismo que os Jogos Olímpicos de Beijing provocavam na época). Mas acabavam sobrando algumas alfinetadas. A poluição que cobria o céu da cidade, por exemplo, era rapidamente atribuída ao lado de lá.

Colocando essa questão de lado, Hong Kong parece ser bem diferente da China. Para começar, é latente a desigualdade econômica entre os dois lugares, com larga vantagem para a ilha. Se em cidades chinesas de maior porte vemos carros de luxo até com freqüência, em Hong Kong acaba sendo algo corriqueiro. É compreensível, uma vez que alguns milhões de pessoas conseguem, de fato, concentrar mais renda, quando em comparação com a China continental, que ultrapassa um bilhão.

As diferenças vão além. Hong Kong tem seu dólar, não aceita o Yuan em qualquer lugar, além do que, nem todos por lá falam mandarim. Mas um dos principais pontos nessa discussão é que a ilha, ao contrário da China, é território liberado para a tecnologia. Inclusive, no que diz respeito a impostos. A política adotada por Hong Kong nesse sentido faz do local um importante paradeiro para o turismo de consumo no mundo.

Não é à toa que grande parte das principais empresas de tecnologia tem escritórios lá. Também não é de se estranhar que, enquanto brigam para colocar produtos na China, companhias como a Apple abrem lojas, promovem eventos e direcionam cada vez mais atenção para a ilha. Hong Kong tem a vantagem de juntar a disciplina e a afinidade com tecnologia dos orientais, com a “abertura mental” econômica herdada dos ingleses. E isso faz com que, mesmo com um mercado consumidor infinitamente menor que o da China continental, tenha vantagens sobre a terra mãe.

Zàijiàn

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Marcus Vinícius Benedicto

Marcus Vinícius Benedicto

Communication advisor for TELEM, Brazil's greatest integrator for entertainment infrastructure, he has a Post-graduate Degree in Organizational Communications and Public Relations from Cásper Líbero University and Graduate Degree in Journalism from the São Paulo Methodist University. Has been studying Mandarin for 5 years.

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