05.19.2012





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China - Culture
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Um país que cresce, inova e se reinventa há 2000 anos (3)

Em seu terceiro artigo, Ming Tsung Wu mostra como a história da China é repleta de desafios e vitórias. Foram séculos de conflitos internos e turbulências para que o povo chinês finalmente reassumisse a soberania do seu país. De São Paulo.
A Dinastia Ming (1368-1644) foi marcada por conflitos internos e turbulências para o povo chinês. O poder extremamente concentrado dependia muito dos seus governadores, que eram muitas vezes incompetentes e corruptos, incapazes de resolver os problemas, embora a economia e a cultura continuassem a se desenvolver.

A Europa evolui neste período e a sua importância começa a ultrapassar a da China no mundo. Muitos comerciantes, aventureiros e missionários chegam à China e contribuem para o intercâmbio entre o Ocidente e o Oriente.

Após o início das Grandes Navegações, os portugueses tomam Malaca (Malásia) em seu poder, no ano de 1511. Em 1513, o Rei de Portugal envia uma comitiva para visitar a China com a missão de construir relações diplomáticas. O governo chinês então autoriza os portugueses a abrirem firmas e construírem casas em Macau. Foi o início dos contatos entre as novas nações européias ascendentes e a China.

O povo Man do nordeste da China aproveitou a guerra civil no Império Ming e tomou a China com facilidade. Então, veio a última Dinastia, a Qing (1644-1911). Até o século 17, a China ainda era forte, mas ao fechar as portas para o mundo, fez com que a nação parasse no tempo, enquanto o mundo caminhava para a modernidade.

Nos séculos 17 e 18, os europeus eram loucos por porcelanas chinesas. Eles podiam fazer seus pedidos via carta, colocando as especificações em desenho, contendo brasões. Mesmo que o processo demorasse alguns anos, todas as peças de porcelana chegavam intactas às casas dos nobres ocidentais.
Nos séculos 17 e 18, os europeus eram loucos por porcelanas chinesas. Eles faziam pedidos via carta, colocando especificações em desenho.
O chá chinês também era comercializado para o mundo; os comerciantes vendiam as ervas para Inglaterra e Estados Unidos. O produto era caro, mas todos tomavam. 

Então, mais uma vez, o episódio de Roma comprando seda chinesa reaparece. A prata e o ouro dos europeus entram em grande quantidade na China. O Rei inglês envia então George Macartney à China, com a tentativa de fazer um acordo para equilibrar a balança comercial. Porém, o imperador chinês deu a resposta, dizendo: “O povo chinês é culturalmente muito superior a vocês europeus, já temos tudo que precisamos na China e não precisamos de nenhum produto ocidental.”

Após a frustrante tentativa de acordo, a Inglaterra começa então a vender ópio para os chineses, mesmo com a proibição do governo. Na visão dos europeus da época, esse produto, que viciava as pessoas, era realmente a maneira eficaz de equilibrar a balança comercial. Nos anos de 1800, a venda anual de ópio na China era de apenas 2.000 caixas e, depois de 15 anos da visita de Macartney, o consumo anual subiu para 100.000 caixas. A riqueza da China não parava de sair do país e milhões de chineses tornaram-se dependentes da droga.

Diante da situação insuportável, o governo chinês nomeou um oficial chamado Lin Ze Xu para tentar resolver o problema. Lin então confiscou o ópio ilegal no país e queimou tudo. Isso porém serviu de pretexto para os ingleses iniciarem a Primeira Guerra do Ópio. Uma das conseqüências da derrota da China foi a cessão de Hong Kong à Inglaterra. Mesmo com muitos esforços e melhorias, com o tempo, a Dinastia Qing entrou em crise. Na Segunda Guerra do Ópio, a China pagou o preço de não ter evoluído e a conseqüência dessas derrotas foi deixar a China pobre.
Na Segunda Guerra do Ópio, a China pagou o preço de não ter evoluído e a consequência dessas derrotas foi deixar a China pobre.
No século 18, devido à situação instável na China, vários chineses saíram do país em busca de uma vida melhor; muitos foram para os Estados Unidos construir ferrovias e trabalhar em minerações. Assim surgiram as primeiras colônias chinesas no mundo ocidental.

Ao mesmo tempo, a China tentou reagir com a “Reforma dos Cem Dias”, liderada por um estudioso chamado Kang You Wei, mas nada deu certo, por causa da oposição da poderosa Ci Xi, a avó do imperador da época.

Devido à situação caótica do império Qing, o médico Sun Zhong Shan (conhecido aqui no Brasil como Sun Yat-sen) liderou o povo e, em 1911, conseguiu derrubar o império. A República da China surge em 1912. A era imperial, que dominou a China por mais de 4.000 anos é, então, finalmente encerrada.

A República da China tenta restabelecer a sua posição diante do mundo, mesmo com problemas internos não resolvidos. Mas as guerras civis entre os senhores de guerra não permitem que o país respire.

A situação piora com a invasão japonesa nos anos 30. A China lutou sozinha contra o Japão até 1941, quando os Estados Unidos entraram na guerra, por causa do ataque a Pearl Harbour. 

Após a vitória na Segunda Guerra Mundial, o Partido Comunista assume o controle da China continental e, em 1949, começa a República Popular da China. Finalmente o povo chinês reassume a soberania, após séculos de tribulações.

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Profile

Ming Tsung Wu

Ming Tsung Wu

Director of the NinHao Center of Language and Culture and Mandarin professor. Was born in Taiwan and has lived in Brazil for 17 years, 10 of which dedicated to the educational area. Published several didactic books. Made presentations at the Brazil-China Economic Development Chamber (Course on Corporate Brazil-China Etiquette) and at Aduaneiras (China: Business Trip).

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