China - Culture
Um país que cresce, inova e se reinventa há 2000 anos (3)
Em seu terceiro artigo, Ming Tsung Wu mostra como a história da China é repleta de desafios e vitórias. Foram séculos de conflitos internos e turbulências para que o povo chinês finalmente reassumisse a soberania do seu país. De São Paulo.
A Dinastia Ming (1368-1644) foi marcada por conflitos internos e turbulências para o povo chinês. O poder extremamente concentrado dependia muito dos seus governadores, que eram muitas vezes incompetentes e corruptos, incapazes de resolver os problemas, embora a economia e a cultura continuassem a se desenvolver.
A Europa evolui neste período e a sua importância começa a ultrapassar a da China no mundo. Muitos comerciantes, aventureiros e missionários chegam à China e contribuem para o intercâmbio entre o Ocidente e o Oriente.
Após o início das Grandes Navegações, os portugueses tomam Malaca (Malásia) em seu poder, no ano de 1511. Em 1513, o Rei de Portugal envia uma comitiva para visitar a China com a missão de construir relações diplomáticas. O governo chinês então autoriza os portugueses a abrirem firmas e construírem casas em Macau. Foi o início dos contatos entre as novas nações européias ascendentes e a China.
O povo Man do nordeste da China aproveitou a guerra civil no Império Ming e tomou a China com facilidade. Então, veio a última Dinastia, a Qing (1644-1911). Até o século 17, a China ainda era forte, mas ao fechar as portas para o mundo, fez com que a nação parasse no tempo, enquanto o mundo caminhava para a modernidade.
Nos séculos 17 e 18, os europeus eram loucos por porcelanas chinesas. Eles podiam fazer seus pedidos via carta, colocando as especificações em desenho, contendo brasões. Mesmo que o processo demorasse alguns anos, todas as peças de porcelana chegavam intactas às casas dos nobres ocidentais.
Nos séculos 17 e 18, os europeus eram loucos por porcelanas chinesas. Eles faziam pedidos via carta, colocando especificações em desenho.
O chá chinês também era comercializado para o mundo; os comerciantes vendiam as ervas para Inglaterra e Estados Unidos. O produto era caro, mas todos tomavam.
Então, mais uma vez, o episódio de Roma comprando seda chinesa reaparece. A prata e o ouro dos europeus entram em grande quantidade na China. O Rei inglês envia então George Macartney à China, com a tentativa de fazer um acordo para equilibrar a balança comercial. Porém, o imperador chinês deu a resposta, dizendo: “O povo chinês é culturalmente muito superior a vocês europeus, já temos tudo que precisamos na China e não precisamos de nenhum produto ocidental.”
Após a frustrante tentativa de acordo, a Inglaterra começa então a vender ópio para os chineses, mesmo com a proibição do governo. Na visão dos europeus da época, esse produto, que viciava as pessoas, era realmente a maneira eficaz de equilibrar a balança comercial. Nos anos de 1800, a venda anual de ópio na China era de apenas 2.000 caixas e, depois de 15 anos da visita de Macartney, o consumo anual subiu para 100.000 caixas. A riqueza da China não parava de sair do país e milhões de chineses tornaram-se dependentes da droga.
Diante da situação insuportável, o governo chinês nomeou um oficial chamado Lin Ze Xu para tentar resolver o problema. Lin então confiscou o ópio ilegal no país e queimou tudo. Isso porém serviu de pretexto para os ingleses iniciarem a Primeira Guerra do Ópio. Uma das conseqüências da derrota da China foi a cessão de Hong Kong à Inglaterra. Mesmo com muitos esforços e melhorias, com o tempo, a Dinastia Qing entrou em crise. Na Segunda Guerra do Ópio, a China pagou o preço de não ter evoluído e a conseqüência dessas derrotas foi deixar a China pobre.
Na Segunda Guerra do Ópio, a China pagou o preço de não ter evoluído e a consequência dessas derrotas foi deixar a China pobre.
No século 18, devido à situação instável na China, vários chineses saíram do país em busca de uma vida melhor; muitos foram para os Estados Unidos construir ferrovias e trabalhar em minerações. Assim surgiram as primeiras colônias chinesas no mundo ocidental.
Ao mesmo tempo, a China tentou reagir com a “Reforma dos Cem Dias”, liderada por um estudioso chamado Kang You Wei, mas nada deu certo, por causa da oposição da poderosa Ci Xi, a avó do imperador da época.
Devido à situação caótica do império Qing, o médico Sun Zhong Shan (conhecido aqui no Brasil como Sun Yat-sen) liderou o povo e, em 1911, conseguiu derrubar o império. A República da China surge em 1912. A era imperial, que dominou a China por mais de 4.000 anos é, então, finalmente encerrada.
A República da China tenta restabelecer a sua posição diante do mundo, mesmo com problemas internos não resolvidos. Mas as guerras civis entre os senhores de guerra não permitem que o país respire.
A situação piora com a invasão japonesa nos anos 30. A China lutou sozinha contra o Japão até 1941, quando os Estados Unidos entraram na guerra, por causa do ataque a Pearl Harbour.
Após a vitória na Segunda Guerra Mundial, o Partido Comunista assume o controle da China continental e, em 1949, começa a República Popular da China. Finalmente o povo chinês reassume a soberania, após séculos de tribulações.
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