China - Culture
Comida chinesa, olhar ocidental
Para Ming Tsung Wu, a mídia tem papel preponderante na distorção dos hábitos alimentares dos chineses. Se os ocidentais comem foie gras sem constrangimentos, por que os chineses não podem comer certos alimentos “diferenciados” também? De São Paulo.
Muitos estrangeiros têm discriminação em relação aos costumes alimentares chineses. Várias publicações ocidentais apresentam reportagens e relatórios exagerados sobre o assunto. Essas visões parciais inevitavelmente distorcem a imagem dos chineses no mundo.
Quando você pergunta a um ocidental o que acha sobre a comida chinesa, ele já tem opinião formada. Muitas pessoas que experimentam, gostam; outras, nem tanto. Dizem que a comida chinesa tem tempero forte, que tudo é picado em pedacinhos, e que os chineses comem de tudo: carne de cachorro, cobra, escorpião e até de animais em extinção. Para a grande maioria delas, o cachorro é como um membro da família, então não conseguem entender o porquê de transformá-lo em alimento. Muitas organizações de proteção aos animais criticam freqüentemente a China e fazem propaganda pedindo para que os chineses parem de comer cachorros e ursos.
Na verdade, esses costumes alimentares geralmente são regionais e não fazem parte dos ingredientes das refeições no dia-a-dia dos chineses. A famosa rua de espetinhos de comidas exóticas em Beijing é o ponto de preferência dos repórteres estrangeiros. Quando um ocidental vê essas reportagens, como são mostradas, é lógico que pensa que os chineses comem todos os dias centopéia, escorpião, cavalo-marinho e estrela do mar fritos. Porém, um fato interessante é que, de acordo com os vendedores das barracas, são os turistas que mais consomem essas comidas e o próprio povo local prefere um espetinho de carne bovina ou de carneiro assado.
Porém, um fato interessante é que, de acordo com os vendedores das barracas, são os turistas que mais consomem essas comidas.
Outro exemplo é a carne de cachorro. Na história antiga da China, ela era um alimento comum, principalmente na época de fome e guerra, mas hoje somente uma província do sul tem esse costume. Na Coréia, são consumidos mais de um milhão de cachorros por ano e existe um projeto de lei até para colocar a carne canina nas prateleiras dos supermercados.
Hoje na China, comer animais como tigre e urso já é um ato considerado imoral e ilegal, mas o problema é que alguns chineses ainda acreditam que, ao comerem as partes e órgãos de animais silvestres, estarão fortalecendo o próprio corpo. Mesmo que na China existam leis que proíbem a matança de animais raros, infelizmente alguns chineses ainda fazem questão de fazer um banquete feito por verdadeiros animais em extinção, como se isso fosse a maior honra que pode ser oferecida a um convidado importante. Por acaso, esses convidados especiais são muitas vezes ocidentais; mas então as notícias de que os chineses comem “sempre” animais em extinção se espalham. Por sorte, alguns dos restaurantes mais conscientes ou que têm medo de levar pesadas multas, já substituíram, por exemplo, as patas de urso e cérebro de macaco por outros animais mais comuns. Mas os nomes dos pratos, mantidos, não deixam o ocidental acreditar que as técnicas de cozimento possam imitar o sabor original.
Os estudiosos acham que este fato é causado principalmente pelo pouco conhecimento sobre a China e acreditam que os costumes alimentares de cada região devem ser respeitados. Por exemplo: se a dificuldade de conservação não é mais um problema hoje, então por que os chineses ainda gostam de deixar os animais vivos até momentos antes de comer? Porque acreditam que desta forma a comida fica mais saudável e nunca se corre o risco de comer comida estragada.
A China passou por muitos anos de pobreza e tem costume de economizar e aproveitar ao máximo os recursos alimentícios.
A China passou por muitos anos de pobreza e tem costume de economizar e aproveitar ao máximo os recursos alimentícios. Se já está passando fome, por que não comer todas as partes dos animais abatidos? Pensando assim, o não desperdício faz com que os recursos na China durem mais do que em outros lugares do mundo.
Ao mesmo tempo em que os ocidentais criticam os chineses por comerem carne de cachorro, gato e rato, milhões de cachorros e gatos são abandonados e morrem nos Estados Unidos e na Europa.
O que os chineses não conseguem entender é que, se eles ocidentais comem o foie gras, o fígado de um pato ou ganso superalimentado, rãs ou ostras cruas, sem problemas, por que na China não se pode matar o peixe na hora para fritar?
Todos os países e povos têm seus diferentes costumes alimentares, que são inseparáveis de cultura, religião, localização e condição social. A soma de todos esses fatores ao longo do tempo não deve ser mudada de maneira alguma. No mundo de hoje, a influência sobre os costumes é cada vez maior e, no processo, choques e conflitos são inevitáveis; esses refletem algo maior nas diferenças culturais, de tradição e religiosas. Porém, alguns ocidentais, ao analisarem estas questões, sempre se posicionam em um nível superior, considerando culto tudo o que bebem e comem. Na verdade, isso não passa de uma discriminação cultural. Devemos respeitar as diferenças culturais e procurar entender e compreender o que os outros fazem. Uma lição para muitos aprenderem, nesta sociedade globalizada.
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