05.19.2012





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China - Culture
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São Paulo x Beijing. Guns N’ Roses x Comunismo

Marcus Benedicto compara São Paulo e Beijing, mostrando as diferenças entre hábitos e costumes, transportes públicos, regime e música. Para ele, paulistanos têm mais em comum com seus colegas pequineses do que imaginam. De São Paulo.
Brasil e China são tão diferentes?

Conhecer outros países é uma experiência bastante interessante em vários sentidos. Ter contato com culturas diferentes leva à reflexão, especialmente quando passamos a comparar o que vimos com o que acontece no local onde vivemos.

Após voltar de uma viagem à China, fiquei com essa questão em mente. E, agora, compartilho com os leitores do Watershed conclusões que consegui tirar dessa experiência.

Populações – Não são exatamente equivalentes, mas estão bem próximas. Portanto, quem vive em São Paulo tem uma boa noção do que é uma metrópole chinesa, como Beijing, nesse sentido.

A maior capital brasileira tem aproximadamente 11 milhões de habitantes. Beijing, por sua vez, está na casa dos 18 milhões de pessoas. A diferença, a princípio, parece grande, mas não há muita discrepância entre as aglomerações de um ou outro lugar.

Basta dar uma volta por ambas as cidades. Estarão igualmente com pontos de multidão, especialmente nos centros, o transporte público (talvez melhor em Beijing) também terá problemas de superlotação, enfim, quem vem de grandes metrópoles não terá motivos para reclamar da “superpopulosa” China.

Costumes – Uma das características mais propagadas do povo chinês, porém, não das mais positivas, é o fato de serem pessoas “desprendidas”. Cospem quando acham necessário, soltam gases se sentem vontade, tudo sem fazer cerimônia. É compreensível. São ensinamentos da mítica e, acredita-se, poderosa medicina chinesa. Ainda assim, vi muito pouco desses hábitos quando estive lá. Cuspes no chão, apenas dois, e só no último dia que passei no país. Para alguns, é fruto do trabalho de “conscientização” que o governo promoveu por conta dos Jogos Olímpicos. Pode até ser, mas, também é possível concluir que esse estereótipo que os brasileiros construíram talvez seja um tanto exagerado.
Cospem quando acham necessário, soltam gases se sentem vontade, sem cerimônia. São ensinamentos da mítica e poderosa medicina chinesa.
Já em São Paulo, é tão comum ver sinais de cusparadas recentes pelo chão quanto é ter que pular chicletes ou embalagens descartados fora do lixo. Os chineses, como foi dito, têm seus motivos para cuspir na rua. Os brasileiros não, mas fazem da mesma maneira.

Os paulistanos, porém, estão mais avançados em outros aspectos. A cidade foi classificada, em um recente e curioso estudo, como a quarta mais cortês do mundo. Em São Paulo, é comum ajudar pessoas a recolher algo que derrubaram, segurar a porta do elevador e dar direções para quem está perdido, entre outros bons hábitos. 

Essas são questões básicas, mas que acabam passando despercebidas e em branco em outros lugares, como na China. Não que seja um país de pessoas rudes. Os chineses sabem ser muito educados e simpáticos, especialmente quando estão prestando algum atendimento ou procurando vender algo. Mas é comum ver pessoas esbarrando em alguém e saindo resmungando, furando filas, olhando de maneira atravessada...

Trânsito – Nesse quesito, Brasil e China estão praticamente empatados. Ao menos nas grandes capitais, nos horários de pico, o trânsito é quase que ininterrupto. A situação era tal que, durante as Olimpíadas, foi instaurado em Beijing um sistema de rodízio muito mais severo do que o paulistano: em um dia, só circulavam placas com final par, no outro, ímpar. Foi preciso livrar a cidade de metade da sua frota.

A China tem, porém, uma vantagem. Enquanto por aqui, o hábito de se locomover pela cidade de bicicleta está apenas começando a ser incentivado, lá, já é um costume nacional. Quem opta pelas duas rodas, geralmente, tem faixas próprias. E, como quase tudo na China, estão sempre cheias. Outra curiosidade: motos do tipo scooter, menores e com pouca potência, são vendidas até em supermercados.

As capitais chinesas têm, também, ruas e avenidas mais largas, com mais faixas e que acomodam melhor a grande quantidade de veículos. Por outro lado, há muitas saídas e cruzamentos em locais que, a primeira vista, parecem impossíveis de funcionar, mas funcionam. Os pedestres (os que não estão acostumados) sofrem para atravessar entre calçadas. Sinais de trânsito, em muitos lugares e para muitas pessoas, são praticamente objetos de decoração. E o mais curioso é que esse caos de carros e gente “se entende” e acaba fluindo com naturalidade.
Os pedestres sofrem. Sinais de trânsito, em muitos lugares e para muitas pessoas, são praticamente objetos de decoração.
Em apenas três itens é possível visualizar uma enormidade de comparações culturais. Se, a princípio, a impressão que se tem é a de que há um abismo entre brasileiros e chineses, no fundo, a conclusão que se tira é de que não são, assim, tão diferentes.

Democracia chinesa?


O assunto está por todos os lugares. Após uma dezena de anos e de milhões de dólares em gravações, o Guns N’Roses, do excêntrico e único integrante remanescente da época áurea da banda, Axl Rose, lançou o seu novo disco. O fato não seria relevante para este espaço não fosse o nome do álbum, Chinese Democracy, e tudo o que vem no seu rastro.

Para começar, o disco, que foi lançado oficialmente no final de novembro, vazou na web semanas antes. Mais do que rapidamente, os internautas chineses, por meio do Baidu, principal buscador do país, ficaram sem acesso a qualquer site que fizesse referência ao trabalho (com a curiosa exceção da página da banda no MySpace). De acordo com a agência France Presse, o Ministério da Cultura da China logo foi perguntando sobre o ocorrido e logo tratou de desconversar. Disse que não sabia do bloqueio ao disco e classificou a história como rumor. 

Essa é uma queda de braço interessante. De um lado um rockstar em decadência, mas que ainda é capaz de mover multidões de fãs e lança um disco com nome desafiador e que até defende (de maneira sutil) uma organização religiosa budista. Do outro, o governo de um dos países mais poderosos do mundo. O resultado parece um tanto óbvio, mas, não se pode negar, algum estrago foi feito.

Zàijiàn

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Marcus Vinícius Benedicto

Marcus Vinícius Benedicto

Communication advisor for TELEM, Brazil's greatest integrator for entertainment infrastructure, he has a Post-graduate Degree in Organizational Communications and Public Relations from Cásper Líbero University and Graduate Degree in Journalism from the São Paulo Methodist University. Has been studying Mandarin for 5 years.

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