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| A música pop chinesa e a reintegração nacional |
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Por que o "Vento da China" está sempre no topo das paradas? De Beijing, Liu Bin
Na longa história chinesa, podemos sempre destacar a importância da música. É como diz o ditado chinês, “se não tiver riso, não há alegria”, expressando sentimentos que a música traz. Ao longo da história, a música teve seus altos e baixos, trazendo consigo muitos sinais históricos e culturais. O momento mais brilhante, e também o mais turbulento, foi no século passado, entre as décadas de 20 e 40, quando a China não só tinha o melhor e maior estúdio de gravação, muito bem equipado, mas também produzia música ocidental do mais alto nível, reunindo um grande número de excelentes criadores, atraindo os melhores músicos do sudeste asiático, acelerando o desenvolvimento de inúmeros artistas e fazendo regravações de singles americanos. Isto foi há muito tempo. Com o aparecimento da chamada música pop moderna, aquelas melodias da “Velha Shanghai” tornaram-se memória eterna de canções antigas.
A música pop chinesa de hoje começou no século 20, na década de 80, ou seja, junto com a reforma e a abertura econômica da China. Depois da abertura, a China sofreu grandes mudanças e a sua música popular tem sido objeto de constante desenvolvimento, com o surgimento de uma variedade de estilos e um grande número de canções pop. Particularmente no século 21, esta evolução se tornou mais madura, apresentando diversas novas tendências.
Por ter nascido nos anos 70, pude testemunhar cada etapa do desenvolvimento da música pop chinesa nos últimos 30 anos. Eu me lembro que, quando era jovem, as músicas de Hong Kong e Taiwan entravam na China e logo se tornavam hits nas paradas, com artistas como Teresa Teng, Luo Da You, “Little Tigers”, “Beyond”, “Os 4 reis”, entre outros. Estes cantores e suas bandas têm as obras cantadas continuamente em karaokês de todo país. As músicas pop da China continental começaram a surgir a partir de cópias das músicas de Hong Kong e Taiwan, quando foram lançadas muitas canções locais (que tinham vida curta e, com o tempo, caíam no esquecimento). Outras fases da música pop chinesa vieram. Que fases foram estas? Rock, folk, música coreana, populares, imitações de música americana, européia, regravações, música eletrônica, música de internet e “Super Girl”, concurso de música popular. Algumas ainda hoje permanecem populares; outras já perderam sua importância.
Durante esse período, um estilo de música pop merece atenção: o “Vento da China” ou “estilo chinês”. Ele tem estado há muito tempo no topo das paradas, com desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuos. Mas o que é esse “estilo chinês”? Este conceito de música chinesa tem o nome de “Vento da China” pois, segundo a tradição, o vento da China traz 3 coisas velhas e 3 novas (as coisas velhas são as letras, a cultura e a melodia; e as novas, novas formas de cantar, novos ritmos e novos conceitos), formando uma combinação própria de estilo de música chinesa, dentre os gêneros musicais. Letras baseadas na cultura chinesa, usando uma nova forma de cantar, habilidades de arranjo para criar uma atmosfera que lembra a música chinesa antiga no fundo, e combinação de ritmo, resultam em um estilo, sutil, elegante e com canções leves. O “Vento da China” nasceu no século 21, em meados dos anos 90, há mais de uma década. O avanço do “estilo chinês” contou com esforços de músicos talentosos que, através de observação cuidadosa e análise profunda, se manifestaram usando como base o patrimônio cultural da China - e isto realmente não é fácil. Aqui temos de mencionar uma das figuras mais representativas da música pop chinesa e no estilo “Vento da China”: Jay Chou.
Cantor pop taiwanês, músico famoso, autor, compositor, letrista, produtor musical e um dos donos da gravadora JVR, ele ultrapassou os limites da música chinesa, usando temas, formatos, integração de diversos materiais musicais, criando diversas canções e casando os estilos ocidentais e orientais baseados na fusão do hip-hop e do R&B. Pode-se dizer que foi pioneiro do “Vento da China” na criação da música pop chinesa. Em 2003, Jay Chou saiu na capa da edição asiática da Time Magazine. E até mesmo o pop star britânico Craig David disse: “A música de Jay Chou foi dominante, e pode até mesmo mudar o mundo da música pop asiática”.
Jay Chou, com um estilo único e incansáveis esforços, tornou-se uma estrela brilhante no mundo do entretenimento. Aqui não se pode deixar de citar o poeta Vicent Fang, fator chave do sucesso de Jay. Vicent Fang compõe letras belas, elegantes e representativas, e criou junto com Jay canções típicas do “estilo chinês” como East Wind Breaks, Picante, Cabelos como Neve, A Mil Milhas de Distância, Blue and White Porcelain. Jay é uma unanimidade na China, entre as mulheres e até as crianças. Além desses dois, alguns outros artistas que representam o “Vento da China” são Lee Hom, Terence, JJ e Anson Hu. Os grandes e contínuos esforços dos músicos contribuem para que o “estilo chinês” esteja em franca expansão.
Além dos fatores humanos, há um fator importante para tornar o “Vento da China” ainda mais popular: o R&B (Rhythm and Blues, na China geralmente chamado de ritmos em azul). Num sentido amplo, o R&B pode ser considerado “a música popular negra”, que se originou do blues e influenciou o pop rock de hoje, com referência ao leste-oeste americano. A revista Billboard definiu R&B como música popular negra, que além de jazz e blues, abrange uma grande variedade de estilos. A indústria da música black está se tornando cada vez mais popular nos últimos anos, e o hip hop e o rap, derivados do R&B, têm vários de seus elementos. Devo dizer que o “Vento da China” e o R&B produziram uma combinação muito boa. O R&B é especialmente popular entre os jovens, e o “Vento da China” é amado e popular à sua maneira, e a interação entre os dois estilos cria um espaço maior para o desenvolvimento de uma nova tendência. Como o R&B foi originalmente desenvolvido a partir de uma variedade de gêneros musicais combinados, fica ainda mais fácil usá-lo com a música chinesa, resultando em canções emocionantes.
Analisamos acima dois fatores importantes: o humano e o musical. Mas creio que para o desenvolvimento sustentável do “Vento da China”, o mais importante seja refletir sobre o retorno da cultura chinesa, pois a música pop apresenta mistura das próprias características nacionais, tendo a cultura como pano de fundo.
O “Vento da China” ainda tem como base a música ocidental, combinada com elementos da música popular chinesa. Assim como a essência da música ocidental, a música chinesa deve ser tirada das raízes da música folk local, aprofundada através do conhecimento dos elementos da música tradicional chinesa. Somente criando sua própria marca é que ocorrerá a nacionalização total da música chinesa. O “Vento da China” tem feito tudo isso, e fará muito melhor. Em qualquer caso, o “estilo chinês” tem tido cada vez mais reconhecimento dos músicos e também tem sido cada vez mais apreciado pelo público.
Tradução: Susi Wang
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Graduate Degree in Foreign Trade from Beijing International Studies University. Works in the area of tourism and has already travelled all over China. Her first book, "The ancient villages of China", was launched in 2007 and talks about geography, history, architecture and local customs. |
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